As ruínas de Palmira – Conde Volney (tradução de Maria Ramirez Balut)

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Sinopse: Seu império e seus deuses tinham tanto poder ... mas eles caíram.
As ruínas de Palmyra foram traduzidas em muitas línguas tanto que o Vaticano incluí-lo no Índice de Livros Proibidos em 1846. O trabalho colocou no mesmo plano a religião católica e outras religiões, servindo como cenário para as ruínas do poderoso império de Palmyra , cujos deuses tinham tanto poder ... mas eles caíram.Um oásis de palmeiras no deserto sírio, Palmyra foi um símbolo da transcendência do poder e da riqueza da rainha Zenobia, até sua destruição pelo imperador romano aureliano no ano 272. Nas palavras de Volney: "Ah! Quanta glória é eclipsada! ... Como as obras dos homens perecem! ... Assim, os impérios e as nações desaparecem!".

Não é só porque é um livro de filosofia do século XVII (escrito em 1791), nem só porque é do Conde Volney, um francês, mas porque “As ruinas de Palmira” nos remete a uma reflexão histórica e filosófica sobre o processo de evolução humana trazendo conceitos de Igualdade e liberdade que viraram marco simbólico da Revolução Francesa em 1798, quase como um presságio de ideias liberais que foram sendo construídas pelo Conde (envolvido diretamente com a revolução francesa) influenciado pelos pensamentos de Voltaire e Benjamin Franklin, verdadeiros revolucionários da história.
Gosto de Revolução? Talvez. Gosto de História? Com toda certeza. Gosto da Revolução Francesa? A minha preferida.
Foi assim que conheci Maria Ramirez Balut, uma espanhola maravilhosa, que curiosamente cresceu no Litoral paulista e trouxe consigo da Espanha seu exemplar de “As ruinas de Palmira” ainda traduzido para o espanhol e proibido naquela época no seu país.
Eis que a Senhora Balut resolveu traduzir novamente a obra de Volney, dessa vez para o português na intenção corajosa de que seus filhos o lessem e, assim como ela, abrissem a cabeça para novos pensamentos.
Eu, de barquinho, ao somar internamente livro, história, tradução, revolução francesa e a magia trazida na fala da Dona Maria, me dei de presente um exemplar que sequer foi publicado, tendo previsão para novembro de 2017 (e já adianto que existirão apenas 50 no mercado).

Um pouco sobre a história: Os primeiros boatos sobre a obra de Volney Ruines ou Meditations sur lês révolutions dês empires aconteceu em meados de 1791. A obra retrata uma filosofia sobre como os impérios ascendem e decaem fazendo um par e passo com os planetas do sistema solar em comparação a quão insignificante nós somos frente a um sistema enorme.
Palmira aparece como fonte de recordações de tempos não vividos e que nos remetem à idéia de revolução e nos entrega a meditação sobre a cidade que antes ali figurou, ante de se tornar ruína.

Primeiras impressões: Custei um pouco a entender que o livro era basicamente dividido em história e meditação. Sistematicamente o livro começa com veementes elogios às tumbas e às ruínas da cidade de Palmira, as quais deveriam combater a arrogância e estupidez de nós homens, que brevemente passamos pela Terra.
A cidade de Palmira foi, também, um símbolo de transição ente poder e riqueza da Rainha Zenobia até a completa destruição pelo imperador romano Aurelino, que levou o autor e, ainda leva o leitor, a um pensamento filosófico sobre como os sistemas crescem e se autodestroem somado ao poder da revolução ao longo dos anos.

Impressões finais: É certo, entretanto, que os pensamentos do Conde podem ser absorvidos e aplicados aos dias atuais, a força que um dia ergueu aqueles tempos na cidade de Palmira agora ao mais existem já que a cidade foi destruída em uma briga por poder.
Trata-se do encanto do passado projetado por quem logo viveria uma revolução e que mantinha a fé na revolução dos impérios. A crença na virtude humana pelas leis naturais.
O livro é tocante, perfeitamente bem traduzido pela Maria, sem perder a simplicidade que o Conde tenta trazer e que nos faz pensar como somos tão pequenos e como poucas atitudes humanas podem construir grandes cidades e transformá-las em ruínas num piscar de olhos.

Sobre o autor: Constantin-François Chassebœuf de La Giraudais (1757-1820), Conde de Volney, conhecido simplesmente como Volney, era um filósofo, político francês e um dos mais ilustres sábios e escritores franceses do século XVIII. Ele é o autor de Journey através do Egito e da Síria (1788) e Meditações sobre as Revoluções dos Impérios (1791), também conhecida como The Ruins of Palmyra, sua obra mais famosa e notória de sua época, proclamando um ateísmo tolerante, liberdade e igualdade.

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