Miríade – Organização Alfer Medeiros (Editora Andross)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sinopse: Qual é o numero ideal de capítulos para se produzir uma obra literária de sucesso? Quantas letras são necessárias em uma frase de impacto? Quanta criatividade cabe em um texto? Na literatura como na vida, há coisas incontáveis, imensuráveis, como a miríade de ideias, formas e estilos contidos na produção dos contos e crônicas desse livro.


Primeiro quero contar que recebi um convite para me inscrever em uma das antologias da editora Andross. Eu tinha um texto pronto de mais ou menos 15 páginas e, quando fui ver, a antologia aceitava apenas 8.000 caracteres.
Sei que provavelmente, você leitor, não deve fazer ideia do que eu estou falando, então vou traduzir, eu tinha um texto de 15 páginas e só podia enviar 3 páginas.
Primeira coisa que amei sobre a Andross, um dos editores, Leandro Schulai, me atendeu tão maravilhosamente bem que me apaixonei pela editora por causa dele. E no fim das contas, mesmo não conseguindo enviar meu conto enorme, fiz questão de escrever um conto totalmente novo e adequado ao tamanho da editora só porque eu queria fazer parte de um mundo tão maravilhoso em que os editores tratam os autores com o mínimo de carinho e atenção (quem é autor vai me entender).
Dito isso, enviei dois contos, um para a antologia organizada pelo Leandro, “Sem mais, o amor” e outro para antologia organizada por Alfer Medeiros “Miríade”, aquele editor super engraçado e famosinho pelos contos aterrorizantes que também tive o imenso prazer de conhecer.
Aí, então, foi só alegria, depois dos textos aprovados recebi meus exemplares no lançamento que foi na LEP, um evento maravilhoso organizado pelo Edson Rossatto e a própria editora Andross, que, inclusive premia seus melhores autores votados democraticamente pelos próprios colegas (vou explicar essa parte já já).
Vamos a resenha.

Um pouco sobre a história: As histórias em Miríade são variadas, a Antologia, nada mais é do que um compêndio de contos de diversos autores diferentes e, no caso das antologias da Andross, cada autor com três páginas ou menos.
A editora,anualmente, faz uma premiação chamada Strix, concorrendo nela todos os autores de suas antologias, em vista da premiação eu tive que ler as antologias um pouco mais rápido do que eu esperava e, por fim, escolher os meus dez contos preferidos (sem ser o meu, obviamente).
Dentre meus preferidos, escolhi contos sobre o cotidiano, abordando situações corriqueiras da vida, contos de serial killers porque eu gosto do tema e, também, alguns bucólicos que levam o leitor a uma percepção sobre si mesmo.

Primeiras impressões: Sobre os textos em si, a verdade nua e crua é que nunca conseguiremos agradar a Gregos e a Troianos, sendo assim, obviamente o estilo que eu gosto de ler se encaixou mais para alguns contos do que para outros, o que não significa que os autores que eu não votei sejam ruins, até porque, nesta antologia a proposta era gêneros variados, diferente da “Sem mais, o amor”, que a proposta era romance escrito em forma de cartas, mensagens etc.
Então gostei mesmo mais de alguns textos do que de outros, mas foi realmente difícil escolher dez, já que a maioria esmagadora me atingiu em cheio.

Impressões finais: Vou começar pelo meu texto que se chama Enfim, Edimburgo, ele aborda a história de uma garota que nunca se deu bem no amor e finalmente chega a Edimburgo, sem qualquer perspectiva, já bem cansada da vida e consegue uma nova chance de ser feliz.
Não quero falar muito para não dar spoiler de um texto de apenas três páginas, mas quero, do fundo do coração mencionar alguns outros textos que me marcaram, como o do Matheus Zuca, que tem uma pegada meio Sherlock Holmes no desvendar dos mistérios e, de longe, para mim foi o melhor conto escrito nesta antologia, se chama Sayyouwillhaunt me em referência a música do Stone Sour.
Além dele, amei o conto Espada Jedi x Caderno Amarelo da autora Josiane Carvalho, não apenas porque sou maravilhosamente fã da saga Star Wars, mas, também, porque a autora abordou situações corriqueiras como o dilema que alguns pais passam ao escolher dar para o filho um brinquedo super caro enquanto pretendem comprar para uma criança de rua um material de estudo não tão bonito ou tão custoso, nos fazendo entender o verdadeiro significado do valor que damos as coisas.
O texto Dona Josefina do autor Igor Luchese que aborda uma situação excepcional sobre um senhor que se viu livre da mulher que trabalhava na sua casa e tomava conta dele, maravilhoso.
O texto Cheiro de Livro da autora Maria Anna Martins, tem algo curioso, eu, particularmente não gosto de textos com aqueles hiatos temporais (saltos no tempo) porque, via de regra, me parece que o autor não soube desenvolver, mas este texto, meus caros. Meu Deus! Fiquei sem palavras quando li e mesmo os saltos temporais não me incomodaram.

Além desses, contos como Arte Abstrara da autora Sthefane Pinheiro, Carrossel do autor Murilo Tavares Ferreira, Nostalgia Total e Resistência Plena da autora Rosanares da Maia (mesmo sendo bem pequeno ficou entre os melhores que eu elegi), A última canção da autora Larissa Prado, Pesca Urbana do autor Sergio Motta e O sonho de uma pedra do autor Francisco Oliveira que teve a brilhante ideia de escrever exatamente sobre uma pedra e me deixar completamente sem palavras.

Sobre o autor: A antologia foi organizada por Alfer Medeiros, pseudônimo de Alexandre J. F. Medeiros, português radicado em São Paulo desde a infância. 
Apreciador de expressões culturais como literatura, música, cinema e quadrinhos. Analista de sistemas e professor universitário por profissão. Escritor por paixão. 

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